quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ele era

Não sinto mais o coração bater forte e o chão já não se abre quando ele aparece. Meus olhos não se enchem de lágrimas e a minha alma já não o pede mais próximo. Meus olhos só o acompanham enquanto ele se vai, eles não exigem os dele olhando-os por dentro, me consumindo. Meu sorriso já não se abre, automaticamente, quando os dentes dele, num movimento falso, ficam a mostra. Minha boca não fala mais 'te amo' com a intensidade que dizia quando era verdadeiro. Meu corpo mente de forma categórica procurando o dele, mas é só desejo, é só carência. Carência, porque eu sou mulher. Desejo porque eu sou mulher. Ele não foi o meu amorzinho de filme americano, com seus milhares de defeitos perfeitos. Não foi eterno. E olha que eu pensei que seria. Por muito tempo, meu coração pediu que o dele estivesse sempre por perto, mas agora, ele o expulsa da forma mais truculenta que pode. E ele vai onde quer, me leva onde quer. Até que, bobo, se apaixone de novo.

17 comentários:

Ciciliatti S. disse...

É ótimo quando algo que não está indo certo, no que se diz a respeito de relacionamento é deixado pra tras. Dá um gosto especial conujulgar no passado!
Lu, saudadona de você!

Pri disse...

E o alívio que essa mágoa, essa repulsa nos causa após nos livrarmos desse sentimento que um dia nos consumiu, é muito gostoso.

Eu adoro HOJE o sabor que a indiferença - por outrém que um dia amei MUITO - me proporciona.

Adorei.

LINDO, pra variar né?

BEIJO.

more one marketing's game. disse...

você é o cara, véi.
mais mulheres deveriam superar essa hipocrisa de negar o desejo e coisas relacionadas a isso como se não fossem seres humanos.

:*

sheila disse...

que lindoo esse textoo amor...amor emocione akii haha!!
poxa vida...homens, quem os ententem? =/
é uma droga se apaixonar por uma pessoa que daki um tempo vc olha pra ele e pensa "aew que noju, eu gostava DISSO?"
hahaha


beijosss kerida

A. disse...

Nossa, voce escreve MUITO!
Li todos os seus posts e são muito lindos!

ADOREI!
Parabéns.

E se você conseguiu se livrar desse sentimento, pense se você não vai sentir falta dele ;)

beijos

Bruna disse...

Hahahahaha, como é?
É uma merda. :)
Não queira se apaixonar por alguém que mora a, no mínimo, 2000 km de você.

E sobre o teu texto, bom, concordo com a Priscila: Eu ADORO o gostinho da indiferença - por alguém que também amei muito - me proporciona.

Arlequim disse...

Como você mesma disse:
"Eu me pareço com você. Em partes."
Gostei daqui.
Beeijos

Ed(na) disse...

Vc é bastante BASTANTE competente com as palavras. ADOREI aqui.


^^


Beijo!

bruno bortoleto disse...

espera ai.. espere...
amor a segunda lida ? bom, costumo ser mais demode que isso... acredito em amor a primeira lida, entende *-*
mas como falta coragem as vezes para dizer... fico lendo sem aparecer e comentar, ai o amor fica platonico e suas palavras perseguindo o pensamento por dias inteiros... é, nao importa se for a primeira ou segunda lida, amor quando é amor sempre fica '')
beijos.

Luana H. disse...

Adoro essa sinceridade!
O lance do não amar mais ainda desejar é muito forte num final de relacionamento.

Muito obrigada pelo comentário e pelo elogio!

Beijão e vê-la mais vezes por lá.

Luis disse...

tens uma forma de se expressar que nunca vi em ninguem...

disse o que não consigo 'tirar' de dentro de mim...

beijos

máa :* disse...

Quero conseguir expulsar ele de mim dessa forma também, aos poucos eu vou conseguindo.
Ficou ótimo o texto, parabéns. =)

Aline disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Aline disse...

Dos textos resposta...
A maior dor é perceber que nesse tormento, o que se diz é tão menor do que aquilo que fica por dizer, do que se pretende verdade. Porque, quando se diz isso, dói, sangra de forma visível, quase palpável. Mas sabe, eu não vou conceber como os outros. Eu não vou te dar razão. Isso tudo rasga, sei bem, mas não é porque você o sinta, e tão pouco porque seja falso. É fato, verdade concreta da sua subjetividade. Mas os fatos meu bem, se distorcem em tantos e mais tantos sentimentos! Mas, cá ente nós( e isso só pode ser entre nós), sabemos bem que a lógica só é verdade na linguagem da razão. E o que quero dizer? Tudo que eu poderia te jogar na cara, com isso tudo que você me dá, você sabe bem, até de cor. Talvez melhor do que eu. Mas e de que adiantaria? A consciência não faz calar esse choro de dentro, esse sofrimento mudo.
Eu não queria o sentir, mas o sinto - tão igual a você. E daqui te olho sem entender, e me mantenho no mesmo ponto. Daquilo que te disse uma vez, lá atrás, são respostas que eu dou, não porque ache que você não as tenha, mas por sentir a mesma contradição. Só que me desespero, porque elas crescem tanto que não estão mais aqui dentro. Do lado de fora eu te leio, e nossas palavras e sentimentos, unidos sabe deus por qual destino, me fazem a hipérbole daquilo que sempre suprimo em mim.

Aline disse...

hahaha, acho que fiz um texto maior que o seu post, mas é que te responder é achar resposta pra mim mesma. É quase que uma relação egoísta.
=P

=*

y.gellert disse...

tenho certeza que se isso aconteceu,ELE deve ter dado pelos motivos..sorte sua que ele já nao te faça mais sentir borboletas no estomago!

Letícia S! disse...

AH, preciso muito que meu coração tome essa decisão de 'desapego' tbm!
A foto de seu olhar ficou bem intensa, adorei! :*