quinta-feira, 24 de julho de 2008

Você conhece a paz de estar em paz com o amor?


Ela era possuidora do mais belo e puro amor, mas por razões inquestionáveis, escondia-o tão profundamente que nem a mais cândida das almas era capaz de percebê-lo. Talvez porque das almas cândidas que ela havia conhecido, nenhuma foi capaz de despertar em si seu imenso amor.
Ela conhecia sua riqueza, mas era covarde demais para o amor. Escondia-se atrás de uma cólera falsa e de um ódio tão intenso e traiçoeiro que nenhum ser conseguiria ver atravez do negro que era envolta. Ela havia sido feita para o amor, no entanto, fugia. Sofria calada e amava o nada. Queria por tudo proteger o amor que julgada precioso. Tinha medo que o machucassem, que o destruíssem, tinha medo que ele se tornasse gasto. Mal sabia ela que o amor se reconstitui como o rabo da lagartixa, que é indestruível, e que é o único sentimento que quanto mais se gasta, mais cresce.
De quanto sofrimento teria sido poupada se tivesse conhecido o verdadeiro sentido do amor sem sentido, se alguém tivesse coragem de dizer a ela que amando o nada, dava a seu amor um rumo completamente inútil e vazio. Por mais que ficasse a mercê da dor que o amor traz, teria visto também, sua beleza e sentido sua essência.
Mas ela se deixou levar pelo medo da dor, sem saber que amando ou não amando, sofreria.
Fomos todos feitos pro amor, mas muitas vezes, somos vencidos pela covardia, medo de enfrentar as dificuldades que tudo que é bom, traz consigo. Os sentimentos estão dentro de nós como órgãos. Alguns são vitais. É por isso que ligam o amor ao coração. O amor é essencial, e está acima de medos e fraquezas, tanto quanto o óleo sobre a água.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Mais um dos que ninguém entende

Foi quando eu percebi que não adianta. Que por mais que procurasse não encontraria uma dor que fosse tão boa de sentir quanto aquela. Afinal, não é qualquer dor que não dói. Quem não entendeu nada ainda, é porque nunca sentiu uma dessas. E se sentisse, me daria razão. Mas quem sabe, só eu veja cor em dor. E dor em cor.
Quem foi que levou a minha dor pra longe? Devolva, nem que seja por dez minutos. Dez minutos sentindo a minha tristeza. Amando a minha tristeza... e junto dela descobrindo, que a maior tristeza que posso ter, sou eu.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O jeito de não ser

[...]
"Eu não posso acreditar em você."
"Por quê?"
Ela procurava as palavras para aquela pergunta. Palavras que não poderiam ser românticas. Deveriam ser realistas. Era o jeito que gostava de ser. Talvez fosse seu jeito de ser romântica.
"Acreditar no seu sentimento seria me doer ainda mais."
Ele a olhava. Simplesmente olhava. Parecia assustado. Mas não estava.
Ainda buscando palavras realistas, lágrimas lhe escorriam pelo rosto.
"Tenho que acreditar no que eu sinto. Isso já é pesado demais pra mim."
A expressão do rosto dele havia mudado, não compreendia aquelas palavras que ela chamava de realistas.
"O que mais dói, é saber que amanhã você vai voltar com a mesma cara. Aquela que eu gosto e que me faz acreditar no seu sentimento. Que é exatamente do que tenho medo. Acreditar. Quem acredita, sofre. Sofre porque se ilude. Eu me iludo. Me iludo por pouco. Por essa sua expressão. Esse seu jeito de rir de tudo que eu faço. Sabe, eu gosto. Pelo menos graça, eu tenho."
A cada palavra, ele parecia mais perdido. Mas mais interessado. Ele adorava o jeito de ela o 'confundir'. E ela continuava a buscar em seus devaneios a maneira mais certa de fazê-lo acreditar que ela não acreditava.
"Há uma coisa que eu sempre digo. Apesar de tentar convencê-lo de que não acredito, na minha parte interior, o que você sente, é vivo. Naturalmente vivo. O que é melhor. Pois dentro de mim, ninguém pode tocar. Nem mesmo eu. Entende, agora?
Ele sorriu fazendo que sim com a cabeça.
"Te espero amanhã, com essa mesma cara."
Ambos sabiam que jamais fora tão lindo em suas partes interiores um sentimento. E cuidavam desse com tamanha estima que se atrapalhavam, às vezes. Ou sempre. E quando achavam que já era tempo de pararem de se desentender, com um beijo terno e quente se despediam. E iam além. Onde não poderiam se tocar. Apenas imaginar. E era disso que gostavam. E era assim que eram um do outro. Ou de si.