Ela era possuidora do mais belo e puro amor, mas por razões inquestionáveis, escondia-o tão profundamente que nem a mais cândida das almas era capaz de percebê-lo. Talvez porque das almas cândidas que ela havia conhecido, nenhuma foi capaz de despertar em si seu imenso amor.
Ela conhecia sua riqueza, mas era covarde demais para o amor. Escondia-se atrás de uma cólera falsa e de um ódio tão intenso e traiçoeiro que nenhum ser conseguiria ver atravez do negro que era envolta. Ela havia sido feita para o amor, no entanto, fugia. Sofria calada e amava o nada. Queria por tudo proteger o amor que julgada precioso. Tinha medo que o machucassem, que o destruíssem, tinha medo que ele se tornasse gasto. Mal sabia ela que o amor se reconstitui como o rabo da lagartixa, que é indestruível, e que é o único sentimento que quanto mais se gasta, mais cresce.
De quanto sofrimento teria sido poupada se tivesse conhecido o verdadeiro sentido do amor sem sentido, se alguém tivesse coragem de dizer a ela que amando o nada, dava a seu amor um rumo completamente inútil e vazio. Por mais que ficasse a mercê da dor que o amor traz, teria visto também, sua beleza e sentido sua essência.
Mas ela se deixou levar pelo medo da dor, sem saber que amando ou não amando, sofreria.
Fomos todos feitos pro amor, mas muitas vezes, somos vencidos pela covardia, medo de enfrentar as dificuldades que tudo que é bom, traz consigo. Os sentimentos estão dentro de nós como órgãos. Alguns são vitais. É por isso que ligam o amor ao coração. O amor é essencial, e está acima de medos e fraquezas, tanto quanto o óleo sobre a água.
