quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Menino, menino

Ah, menino. Você não sabe como mexe comigo... como arrepia cada milímetro do meu corpo só de me olhar com essa cara de quem nunca vai amar ninguém. O meu erro talvez tenha sido não saber enfrentar as dificuldades. Mas tudo veio como uma avalanche, menino. Tudo veio de forma a me derrubar, me empurrar pro chão. Nada teve piedade de mim. Em dois meses, menino, tudo me deixava feliz. Até suas mentiras, você mente como ninguém, menino. Você me faz rir como ninguém. E imita minha risada escandalosa como ninguém. Você foi o único que teve coragem de pedir pra conhecer os meus mistérios. E como sempre, não conheceu. E talvez nunca mais conheça, talvez nunca mais veja as pintinhas espalhadas pelo corpo. Sabe, menino, de todos, você foi o que mais mentiu, e foi no que eu mais acreditei. Você não ama, menino. Você faz sexo e pronto. Mas você faz com tanto amor, que eu acredito. Você olha nos olhos e diz frases-feitas. Tudo que não podia dizer, você diz. E o pior: você deixa meu coração ouvir. Você diz que sou eu que minto, sou eu que te engano e eu acabo concordando com você, mesmo sabendo que faz isso só pra tirar de você a culpa. Menino, menino. Como eu faço agora com esse amorzinho que você colocou aqui? Não pode, menino. Ninguém nunca disse isso a você? Aprende, agora, vai.
Aprende que ser tão perfeito, fazer todas as vontades e elogiar demais, nos leva à loucura. Ou melhor, não aprende não, menino. Fica só comigo, vai. Faça só a mim de louca, minta só pra mim, olha só pra mim com aquela cara, coloca só a nossa música pra repetir enquanto a gente finge que se ama. Finge só pra mim. Nem se a gente quisesse, né menino? O mundo é contra nós. Mas eu te amo, hein. Se cuida, por favor.